Como o dentista pode pagar menos imposto (de forma 100% legal)

Por Junior Passos, contador · Passos & Fernandes Contabilidade Consultiva, especializada em saúde · Salvador/BA · atualizado em 2026

A resposta curta é: atendendo pelo seu CPF, de cada R$ 100 que entram, cerca de R$ 26 vão embora em imposto. Com uma empresa bem organizada, esse número cai para perto de R$ 10. Para um dentista que fatura R$ 20 mil por mês, isso é mais de R$ 39 mil por ano que deixam de sair da sua conta. Não existe truque nisso, e nada aqui é manobra arriscada. É estrutura. Neste artigo você vai ver quanto paga hoje, quanto poderia pagar, e o que separa uma coisa da outra.

Resumo rápido

  • Atendendo pelo CPF, cerca de 26% do que você recebe vai para imposto.
  • Com empresa bem organizada, esse peso cai para perto de 10%.
  • Quem fatura R$ 20 mil por mês economiza mais de R$ 39 mil por ano.
  • Duas empresas iguais podem pagar valores bem diferentes, dependendo de como o seu pró-labore é definido.
  • Existe mais de uma forma de a sua empresa pagar imposto, e a escolha certa muda a conta.
  • Há ainda uma cobrança anual do conselho que quase ninguém revisa, e que pode até ser zerada.

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Quanto você paga hoje, atendendo pelo CPF

Quando você recebe como pessoa física, o Imposto de Renda funciona em degraus: quanto mais você ganha, maior a fatia que sai. O último degrau é de 27,5%, e chega rápido. Some a contribuição para o INSS e a conta fica assim, para quem fatura R$ 20 mil por mês:

  • Imposto de Renda: cerca de R$ 4.335
  • INSS: R$ 932
  • Total: R$ 5.267 por mês, ou 26,3% de tudo que entra

E aqui está o ponto que incomoda: nessa situação, não há absolutamente nada a fazer. Não existe planejamento possível na pessoa física. A tabela é a tabela, você preenche e paga.

Quanto você pagaria com uma empresa organizada

Com CNPJ, a lógica muda por completo. O imposto passa a incidir sobre o faturamento da empresa, com uma alíquota bem menor, e você deixa de ser tributado pelos degraus do Imposto de Renda.

Veja a mesma situação, lado a lado:

Fatura R$ 20 mil por mês Pelo CPF Com empresa
Imposto ~R$ 4.335 ~R$ 1.460
INSS
isso é a sua aposentadoria, não é dinheiro perdido
~R$ 932 ~R$ 555
Total que sai por mês ~R$ 5.267
26,3% do que entra
~R$ 2.015
10,1% do que entra

A diferença é de R$ 3.252 por mês. No ano, mais de R$ 39 mil. É dinheiro que hoje sai da sua conta e poderia ficar nela.

Valores ilustrativos para 2026, calculados com as regras vigentes do Simples Nacional e do Imposto de Renda. O resultado exato depende do seu faturamento e de como a empresa é estruturada.

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Por que dois dentistas iguais pagam valores diferentes

Aqui está a parte que quase ninguém explica. Ter CNPJ não garante a conta boa. Dois dentistas com o mesmo faturamento, no mesmo Simples Nacional, podem pagar valores muito diferentes.

O que separa os dois é o quanto você retira da empresa como salário de sócio, aquilo que se chama de pró-labore. Existe uma regra que funciona como uma chave: se esse valor ficar acima de um certo ponto em relação ao seu faturamento, você entra na faixa barata do Simples, que começa em 6%. Se ficar abaixo, cai numa faixa bem mais cara, e boa parte da economia evapora.

No exemplo deste artigo, esse ponto certo é um pró-labore de aproximadamente R$ 5.045 por mês. E tem um bônus: como a regra atual do Imposto de Renda isenta quem recebe até R$ 5.000 por mês, esse pró-labore fica praticamente livre de imposto.

O detalhe é que a chave não fica travada. No consultório, a receita sobe e desce conforme os tratamentos que fecham. Se o pró-labore foi definido uma vez e nunca mais revisto, ele desalinha, e você perde a faixa barata sem perceber. É por isso que essa conta precisa ser acompanhada mês a mês, não configurada e esquecida.

Alguém acompanha essa conta no seu consultório todo mês? Se você nunca ouviu falar disso com o seu contador, vale revisar. A gente confere em qual faixa você está. Quero revisar meu enquadramento »

Existe mais de uma forma de a empresa pagar imposto

Depois de ter o CNPJ, ainda há uma escolha a fazer: a forma como a sua empresa recolhe imposto. É o que o contador chama de regime tributário, e existem opções diferentes que custam valores diferentes para o mesmo faturamento.

Para o consultório odontológico comum, o Simples Nacional costuma ser o caminho mais barato, e é o que está na conta acima. Mas existe uma alternativa, o Lucro Presumido, que em alguns casos compensa.

Ela vale a análise principalmente para quem faz procedimentos, e não só consultas. Nesse caso é possível pleitear um enquadramento que reduz bastante a base de cálculo de dois dos impostos, e a conta pode virar. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que o critério é a natureza do que se faz na cadeira, não o tamanho da estrutura. Muita clínica que teria direito nunca pediu, porque ninguém olhou.

Não dá para adivinhar qual é o melhor caminho sem fazer a conta. E ela muda conforme o consultório cresce: o que era melhor com R$ 10 mil de faturamento pode não ser mais com R$ 40 mil.

Como o dinheiro sai da empresa para o seu bolso

Existem duas formas de tirar dinheiro da empresa, e elas não custam a mesma coisa:

  • Pró-labore: é o seu salário como sócio. Sobre ele incide o INSS e, dependendo do valor, o Imposto de Renda;
  • Distribuição de lucros: é o resultado da empresa indo para você. Dentro das regras, não paga imposto de novo na sua declaração.

O jogo está no equilíbrio. O pró-labore precisa ser alto o suficiente para manter você na faixa barata do Simples e para sustentar a sua aposentadoria. E baixo o suficiente para aproveitar a isenção do Imposto de Renda. Acertar esse ponto é trabalho de quem acompanha o consultório de perto.

A conta anual que quase ninguém revisa

Esta não é um imposto, mas é dinheiro que sai todo ano. A anuidade que a sua empresa paga ao conselho de odontologia é calculada com base no capital social, aquele valor que foi declarado quando a empresa foi aberta. Quanto maior o valor declarado, maior a anuidade. Todo ano.

E existe algo que a maioria não sabe: há previsão de isenção total dessa anuidade para a empresa aberta como sociedade unipessoal, ou seja, com você como único sócio, desde que você seja inscrito no conselho. A isenção não é automática, precisa ser pedida antes do vencimento e a empresa precisa estar em dia.

Quem abriu a empresa no automático, com um capital social alto e sem avaliar o formato, pode estar pagando uma conta que poderia ser menor, ou nenhuma.

Sua empresa pode ter direito a essa isenção? A gente revisa como o seu CNPJ foi aberto e o que dá para corrigir. Quero revisar minha estrutura »

Os cinco erros que fazem o dentista pagar mais

  • Continuar recebendo no CPF por comodidade. É o mais caro de todos, e o mais comum em quem começou a faturar bem recentemente;
  • Definir o pró-labore uma vez e esquecer. Conforme a receita muda, ele desalinha e o consultório sai da faixa barata sem ninguém perceber;
  • Abrir a empresa com a atividade errada no contrato. Um código inadequado pode jogar você numa faixa mais cara ou criar exigências que você nem precisaria cumprir;
  • Misturar a conta pessoal com a do consultório. Além de complicar a retirada de lucros, impede você de saber se o consultório realmente dá lucro;
  • Nunca revisar nada. A estrutura que servia no começo raramente continua sendo a melhor depois que a agenda enche.

Por onde começar

Se o seu objetivo é reduzir a conta, esta é a ordem que dá mais resultado:

  • 1. Se você ainda atende pelo CPF, avaliar a abertura da empresa. É de longe o que mais reduz;
  • 2. Se já tem CNPJ, conferir se você está na faixa barata e se o pró-labore está no ponto certo;
  • 3. Comparar as formas possíveis de pagar imposto, com os seus números reais;
  • 4. Revisar como a empresa foi aberta: formato, capital social e a anuidade do conselho.

Conclusão

Pagar menos imposto como dentista não depende de nenhuma esperteza. Depende de decisões bem tomadas: sair da pessoa física, manter o pró-labore no ponto certo, escolher com base em cálculo a forma de pagar imposto e revisar como a empresa foi montada. Só a primeira dessas decisões, no exemplo deste artigo, representa mais de R$ 39 mil por ano.

O que a gente costuma encontrar não é o dentista que escolheu errado. É o dentista com quem ninguém nunca fez a conta. O consultório cresce, a agenda enche, e a estrutura continua igualzinha à do primeiro dia. A diferença vai se acumulando em silêncio.

Na Passos & Fernandes cuidamos de dentistas e profissionais da saúde, aqui em Salvador. Fazemos o diagnóstico com o seu faturamento real e mostramos em reais quanto dá para reduzir.

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Perguntas frequentes

Qual a forma mais eficaz de o dentista pagar menos imposto?

Deixar de atender pelo CPF e passar a faturar por uma empresa. No exemplo deste artigo, o peso cai de 26,3% para cerca de 10,1% do que entra, uma diferença de mais de R$ 39 mil por ano para quem fatura R$ 20 mil por mês.

Ter CNPJ já garante pagar menos?

Não. Dois dentistas com o mesmo faturamento podem pagar valores bem diferentes, dependendo de como o pró-labore é definido. Se ele ficar abaixo do ponto certo, o consultório cai numa faixa mais cara do Simples.

O que é pró-labore?

É a sua remuneração como sócio da empresa, o equivalente ao seu salário. Sobre ele incidem o INSS e, dependendo do valor, o Imposto de Renda. Definir esse valor corretamente é uma das decisões que mais influenciam a conta final.

A distribuição de lucros paga imposto?

Dentro das regras e dos limites aplicáveis, o lucro distribuído ao sócio não é tributado novamente na declaração. É por isso que o equilíbrio entre pró-labore e lucros faz diferença.

Dentista pode ser MEI?

Não. A odontologia é profissão regulamentada, com registro em conselho, e está fora das atividades permitidas ao MEI. O caminho é abrir uma empresa, normalmente no Simples Nacional.

Como sei se estou pagando mais do que deveria?

O sinal mais claro é nunca ter ouvido do seu contador uma conversa sobre pró-labore, faixa do Simples ou revisão da forma de pagar imposto. Se você só recebe a guia todo mês e nada mais, provavelmente ninguém está olhando isso por você.

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