Por Junior Passos, contador · Passos & Fernandes Contabilidade Consultiva, especializada em saúde · Salvador/BA · atualizado em 2026
A reforma tributária muda a forma como o médico e a clínica médica pagam imposto, e já em 2026 existe uma decisão com prazo em setembro que pode definir quanto você vai pagar a partir de 2027. A saúde tem uma redução prevista na nova tributação, mas ela não é automática: depende do enquadramento certo, e quem ficar no regime errado pode perder o benefício. Para o médico, que muitas vezes soma consultório, plantões e convênios, entender isso agora evita pagar mais do que precisa. Este guia explica o que muda, o que é urgente e o que fazer, em linguagem simples.
Resumo rápido
- A reforma cria dois novos tributos, CBS (federal) e IBS (estadual/municipal), que substituem PIS, Cofins, ICMS e ISS.
- 2026 é ano de teste; o impacto financeiro começa em 2027.
- A saúde tem redução prevista na tributação, mas só vale com o enquadramento correto.
- Quem é do Simples tem uma decisão (por dentro ou por fora) com prazo de 1 a 30 de setembro de 2026.
- Para quem atende convênio, entra um detalhe extra: o convênio é uma empresa que aproveita crédito, o que muda a lógica de preço.
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O que é a reforma, em um minuto
A reforma substitui cinco tributos sobre consumo (PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI) por dois novos, no modelo de IVA:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal, substitui o PIS e a Cofins;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo de estados e municípios, substitui o ICMS e o ISS.
A diferença central é que esses tributos passam a ser não cumulativos (permitem aproveitar crédito do que a empresa gasta) e são destacados por fora na nota fiscal, em vez de embutidos no preço. Para a atividade médica, isso muda o cálculo do imposto, a emissão da nota e o fluxo de caixa.
A linha do tempo que interessa para você
| Quando | O que acontece |
|---|---|
| 2026 | Ano de teste: CBS e IBS aparecem com alíquotas simbólicas (0,9% e 0,1%), em caráter informativo. As notas fiscais já passam a exigir os novos campos. E há a decisão do Simples, com prazo em setembro. |
| 2027 | A CBS entra pra valer e substitui PIS/Cofins. Começa o split payment. É quando o impacto no caixa aparece de verdade. |
| 2029 a 2033 | O IBS sobe gradualmente e o ICMS/ISS somem na mesma medida, até o sistema novo ficar pleno. |
As alíquotas de referência citadas ao longo do texto são estimativas oficiais e podem ser ajustadas na regulamentação.
O ponto mais urgente: a decisão do Simples até 30 de setembro de 2026
Se você atende como pessoa jurídica optante do Simples Nacional, atenção a este ponto, porque ele tem prazo. A partir da reforma, o Simples passa a ter duas formas de recolher os novos impostos:
- Por dentro (unificado): os novos tributos continuam dentro da guia do Simples (o DAS). É mais simples, mas gera pouco crédito para quem contrata você.
- Por fora (híbrido): o IBS e a CBS são apurados separadamente, o que permite gerar e aproveitar crédito cheio, e é o caminho para acessar a redução da saúde.
A escolha tem prazo de 1 a 30 de setembro de 2026, com efeitos a partir de 2027 (e pode ser cancelada até o fim de novembro de 2026). Para o médico que presta serviço a hospitais e clínicas via PJ, esse ponto é ainda mais sensível: essas instituições podem preferir contratar quem gera crédito cheio. Escolher no automático pode custar caro.
Os 60% de redução da saúde: você tem direito, mas há uma condição
A reforma reconhece que a saúde deve ter tributação menor, com uma redução expressiva prevista para os serviços do setor. Esse é o ponto que mais gera falsa tranquilidade, então vale a franqueza:
Atenção: a redução da saúde não é automática. Ela depende do enquadramento correto da atividade e, em geral, se aplica no regime regular ou no Simples híbrido, não no Simples unificado.
Ou seja, dois médicos com o mesmo faturamento podem pagar valores diferentes, dependendo de como estão estruturados e da decisão que tomarem em setembro. O benefício existe, mas quem não se organiza corre o risco de não aproveitá-lo.
Convênio ou particular: por que isso muda a conta
Aqui está um ponto específico da rotina médica que quase ninguém explica. Com o imposto destacado por fora, o efeito depende de quem paga:
- Atendimento a convênio ou a hospital (cliente pessoa jurídica): essas empresas aproveitam o crédito do imposto. Para elas, o que pesa é você estar estruturado de forma a gerar crédito cheio.
- Atendimento particular (paciente pessoa física): o paciente não aproveita crédito. Nesse caso, o imposto tende a pressionar o preço ou a sua margem.
Isso significa que a melhor estrutura para um médico que atende majoritariamente convênio pode ser diferente da de um médico que atende majoritariamente particular. É o tipo de análise que precisa olhar a sua realidade, não uma regra geral.
Equiparação hospitalar segue relevante
Para clínicas médicas e para médicos que realizam procedimentos, a equiparação hospitalar continua sendo um tema importante no planejamento, principalmente para quem está no Lucro Presumido. A forma como ela conversa com o novo modelo entra na conta de qual estrutura paga menos, e reforça por que a decisão de regime precisa ser feita com análise, não no piloto automático.
Split payment: a mudança que mexe no seu caixa
A partir de 2027, começa o split payment. Hoje, quando o pagamento entra, o valor cheio cai na sua conta e você recolhe o imposto depois. Com o split payment, o imposto é separado no momento do pagamento e vai direto para o governo. Reduz o risco de usar sem querer um dinheiro que era do imposto, mas exige controle de caixa mais apertado, já que aquele valor deixa de transitar pelo seu caixa.
A nota fiscal muda já em 2026
Mesmo em ano de teste, 2026 já traz uma obrigação prática: as notas fiscais passam a exigir os novos campos de IBS e CBS, com códigos específicos que identificam a tributação e os benefícios. O sistema de emissão e a contabilidade precisam estar atualizados para não gerar erro.
O que fazer agora (checklist)
- Confirme se o seu sistema de nota fiscal está preparado para os novos campos de IBS e CBS;
- Analise a decisão do Simples (por dentro x por fora) antes do prazo de setembro de 2026;
- Verifique se vai conseguir aproveitar a redução da saúde, o que depende do enquadramento;
- Mapeie a sua receita entre convênio (PJ) e particular (PF), porque isso muda a melhor estrutura;
- Reorganize o fluxo de caixa pensando no split payment de 2027;
- Cheque se o seu contador está te orientando sobre a reforma. Se nunca ouviu falar disso com ele, é um alerta.
Conclusão
A reforma tributária não é motivo para pânico, mas é motivo para se preparar, e algumas decisões têm prazo já em 2026. Para o médico, o resumo é este: a saúde tem redução prevista, mas ela depende do enquadramento certo; a decisão do Simples tem prazo em setembro; a composição entre convênio e particular muda a melhor estrutura; e o impacto no caixa começa em 2027 com o split payment. Muitos números ainda são estimativas e a regra está em regulamentação, então o que vale é analisar o seu caso concreto.
Na Passos & Fernandes somos especializados em médicos e profissionais da saúde, aqui em Salvador. Fazemos um diagnóstico da sua atividade para mostrar, na prática, como a reforma te afeta e o que decidir antes de setembro.
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Passos & Fernandes · R. Alceu Amoroso Lima, 668, Caminho das Árvores, Salvador/BA · (71) 98872-0540 · contato@passosefernandes.com.br
Perguntas frequentes
A reforma tributária vai aumentar o imposto do médico?
Depende do seu regime, do seu enquadramento e da composição da sua receita (convênio ou particular). A saúde tem redução prevista, mas não é automática. Em 2026 não há acréscimo líquido (ano de teste); o efeito real começa em 2027.
Qual é o prazo da decisão do Simples?
De 1 a 30 de setembro de 2026, com efeitos a partir de 2027 e possibilidade de cancelamento até o fim de novembro de 2026. É a escolha entre recolher os novos impostos por dentro (unificado) ou por fora (híbrido).
Atendo convênio. Isso muda alguma coisa?
Sim. Convênios e hospitais são empresas que aproveitam o crédito do imposto, então tendem a valorizar prestadores estruturados para gerar crédito cheio. Isso pode influenciar a melhor estrutura para você.
Os percentuais da reforma já são definitivos?
Não. Vários números, como a alíquota de referência da CBS, ainda são estimativas e podem ser ajustados na regulamentação. Os prazos, como o de setembro de 2026, já são reais. O foco deve ser a preparação, não o número exato.



