A reforma tributária promete transformar o sistema de cobrança de impostos no Brasil. Com a proposta de simplificar tributos e unificar obrigações, o novo modelo traz impactos relevantes para todos os setores da economia, inclusive o da saúde.
Entre os profissionais mais afetados estão os médicos autônomos, clínicas e sociedades médicas, que precisam compreender as mudanças com atenção e agir com planejamento para evitar prejuízos.
Neste artigo, a equipe da Passos e Fernandes Contabilidade explica, de forma clara e objetiva, o que muda na prática com a reforma tributária para médicos, quais os riscos e oportunidades envolvidos, e como os profissionais da saúde podem se preparar desde já para manter a competitividade e reduzir a carga tributária.
O que muda com a reforma tributária?
A principal alteração trazida pela reforma é a substituição de diversos tributos que incidem sobre o consumo e a prestação de serviços por dois novos impostos principais:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): De competência federal, substituirá PIS e Cofins;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): De competência compartilhada entre estados e municípios, substituirá ICMS e ISS.
Esses novos tributos seguem a lógica do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), ou seja, a cobrança será feita de forma não cumulativa e permitirá o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia.
Na prática, isso significa que tanto clínicas quanto sociedades médicas e profissionais com CNPJ passarão a destacar CBS e IBS em suas notas fiscais de serviço, em substituição ao antigo modelo de PIS/Cofins/ISS.
Médicos PJ: como ficam os serviços prestados com CNPJ
Grande parte dos médicos hoje atua como pessoa jurídica, seja em clínicas próprias ou como prestadores de serviço para hospitais, planos de saúde e consultórios.
Com a reforma, esses profissionais deverão prestar atenção à forma de apuração dos tributos sobre serviços médicos.
Os serviços médicos permanecem enquadrados como “serviços de natureza pessoal”, mas passam a ter tratamento diferenciado na alíquota de IBS e CBS, com fator de redução previsto na legislação. Isso significa que a carga tributária para médicos será menor que a padrão, considerando a relevância do setor da saúde.
A estimativa é que, mesmo com alíquotas padrão sendo elevadas (próximas a 25% ou mais), o fator de redução aplicado aos serviços médicos reduza a alíquota efetiva para aproximadamente 11%, o que torna o cenário menos oneroso do que inicialmente temido.
Profissional autônomo: vale a pena continuar como pessoa física?
Os médicos que atuam como autônomos (pessoa física) continuam sendo tributados pelo Carnê-Leão, modelo que se mantém mesmo com a reforma. No entanto, a carga tributária no modelo de pessoa física permanece mais alta, pois envolve:
- IRPF com alíquotas progressivas até 27,5%;
- INSS com alíquota de até 20% (limitado ao teto);
- Não há possibilidade de deduzir a maioria dos custos operacionais.
Com isso, a migração para pessoa jurídica (CNPJ) continua sendo uma das formas mais eficazes de reduzir impostos, especialmente em faturamentos acima de R$ 5.000 mensais.
CBS e IBS: como será o cálculo na prática
A partir de 2026, as empresas deverão emitir notas fiscais com destaque para a CBS e o IBS. A apuração será feita com base no valor da nota, mas com o direito de compensar tributos pagos em etapas anteriores da cadeia (ex: aluguel, energia, serviços contratados).
Clínicas que tomam muitos serviços de terceiros ou contratam médicos via PJ poderão ter créditos significativos para abater do tributo final.
Por outro lado, clínicas com estrutura enxuta e poucos custos dedutíveis poderão sentir um aumento real da carga tributária, especialmente se não se organizarem adequadamente.
Obrigações acessórias: o que muda na rotina da clínica
Além das mudanças na apuração de tributos, a reforma também exigirá ajustes nos sistemas, processos e rotinas contábeis:
- Novos códigos fiscais e leiautes de notas fiscais eletrônicas;
- Adaptação dos sistemas de faturamento e ERP;
- Escrituração de CBS e IBS em declarações específicas;
- Treinamento da equipe administrativa para adequar a operação às novas regras.
Para clínicas e consultórios, isso significa que será necessário rever contratos com fornecedores, ajustar sistemas internos e revisar cláusulas comerciais, para garantir conformidade e evitar autuações.
Planejamento tributário: mais importante do que nunca
Com as novas regras, o planejamento tributário passa a ser peça-chave para médicos e clínicas.
A escolha errada de regime, a falta de controle de despesas ou a ausência de estruturação correta da equipe (CLT ou PJ) pode representar um impacto financeiro significativo.
Por isso, é fundamental:
- Simular cenários de tributação nos diferentes regimes;
- Avaliar os efeitos da CBS e IBS no fluxo de caixa;
- Verificar se vale a pena manter o Simples, migrar para Presumido ou adotar o Lucro Real;
- Definir o modelo ideal de contratação médica (sócios, autônomos, PJ, CLT).
O que os médicos devem fazer agora
Embora a implementação total da reforma ocorra ao longo dos próximos anos, as mudanças já começaram em 2026. Por isso, os médicos devem:
- Fazer um diagnóstico tributário completo da sua atual estrutura;
- Avaliar a viabilidade de migrar de PF para PJ;
- Simular a nova carga tributária com CBS e IBS;
- Atualizar seus sistemas e processos com apoio contábil especializado;
- Revisar a estrutura societária e contratual do consultório ou da clínica.
Conclusão
A reforma tributária para médicos traz mudanças importantes que exigem atenção, planejamento e apoio especializado.
A forma de tributar serviços médicos, clínicas e sociedades vai mudar, e quem se antecipar poderá continuar pagando menos impostos de forma legal, mantendo a competitividade e a saúde financeira do negócio.
Na Passos e Fernandes Contabilidade, somos especialistas em planejamento tributário para médicos e profissionais da saúde. Nossa equipe acompanha de perto cada detalhe da reforma e está pronta para:
✔ Fazer simulações com os novos tributos;
✔ Avaliar o melhor regime para sua clínica ou sociedade médica;
✔ Ajudar na adaptação dos sistemas e documentos fiscais;
✔ Reduzir a carga tributária com segurança jurídica.
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