Por Junior Passos, contador · Passos & Fernandes Contabilidade Consultiva, especializada em saúde · Salvador/BA · atualizado em 2026
Todo dia 1º, antes de você atender o primeiro paciente do mês, o consultório já custou dinheiro. O aluguel correu, o sistema renovou, a equipe está na folha, o conselho cobrou. Manter um consultório aberto tem um custo que existe independentemente de quantas pessoas você atende, e é justamente esse custo que a maioria dos profissionais subestima. Quem não conhece esse número precifica errado, aceita trabalhos que dão prejuízo e não entende por que o dinheiro some. Neste artigo, você vai ver tudo o que compõe o custo de manter o consultório de portas abertas, e como isso define o seu preço.
- Boa parte do custo do consultório existe todo mês, mesmo que você não atenda ninguém.
- Esses são os custos fixos, e eles são os mais fáceis de esquecer na hora de precificar.
- Há também os custos variáveis, que crescem com o atendimento, e o imposto está entre eles.
- O custo total define o piso do seu preço: abaixo dele, cada atendimento dá prejuízo.
- Muita gente lembra do aluguel e esquece do resto: conselho, contador, seguros, taxas, imposto.
- Conhecer esse número é o que permite precificar com segurança em vez de no sentimento.
Quer mapear o custo real do seu consultório, do aluguel ao imposto? A gente organiza isso com você.
O custo que existe mesmo com a agenda vazia
Faça um exercício. Imagine um mês em que, por qualquer motivo, você não atendeu ninguém. Zero paciente. Quanto o consultório ainda assim custou? A resposta a essa pergunta é o coração deste artigo, porque tudo o que aparece nela é custo fixo, aquele que corre independentemente do movimento.
É esse o custo que engana. Como ele não está ligado ao atendimento, é fácil não pensar nele na hora de definir o preço. Mas ele existe, todo mês, e alguém precisa pagá-lo. Se o seu preço não o cobre, quem paga é você, do próprio bolso.
Os custos fixos: a conta que corre sozinha
Estes são os itens que compõem o custo de manter o consultório aberto, atenda você muito ou pouco:
- Aluguel e condomínio do espaço, ou o custo do imóvel se for próprio;
- Equipe: salário da recepção ou secretária, encargos, férias e décimo terceiro provisionados;
- Sistemas e softwares: agenda, prontuário eletrônico, emissor de nota, ferramentas de comunicação;
- Contador: a contabilidade mensal que mantém a empresa em ordem;
- Conselho profissional: anuidade da pessoa física e, quando há, da pessoa jurídica;
- Seguros: do imóvel, de equipamentos, responsabilidade civil;
- Energia, água e internet na parte que independe do movimento;
- Marketing: o investimento contínuo para manter a agenda cheia;
- Manutenção: limpeza, pequenos reparos, reposição de itens de estrutura.
Repare quantos itens não são o aluguel. É aí que mora o erro mais comum: o profissional lembra do aluguel e do salário, e esquece o conselho, o contador, os seguros, o marketing. Some tudo isso e o custo fixo real costuma ser bem maior do que a estimativa de cabeça.
Tem certeza de que está contando todos os custos fixos, e não só o aluguel? A gente monta a lista completa do seu consultório.
Os custos variáveis: o que cresce com o atendimento
Além do custo fixo, há o que só aparece quando você atende, e aumenta conforme o volume:
- Materiais consumidos em cada atendimento ou procedimento;
- Taxas da máquina de cartão e dos meios de pagamento;
- Comissões, quando houver repasse a terceiros;
- Imposto, que incide sobre cada valor que entra.
O imposto merece destaque, porque é o custo variável mais esquecido e o mais pesado. Ele não chega como boleto na sua mesa, sai por dentro no recolhimento, e por isso muita gente simplesmente não o considera parte do custo. Mas ele é, e dos grandes. Um custo que sai de cada atendimento é custo, tenha ele a cara de boleto ou não.
Como o custo total define o seu preço
Aqui as peças se juntam. O custo de manter o consultório aberto é a soma dos fixos com os variáveis, e é ele que estabelece o piso do seu preço. A lógica é direta:
Cada atendimento precisa cobrir o seu próprio custo variável (materiais, taxas, imposto) e ainda contribuir com uma parte para pagar o custo fixo do mês. Só depois disso é que existe lucro.
Isso explica por que um preço definido só olhando o concorrente é tão arriscado. O seu custo de manter aberto não é o dele. Se a sua estrutura é maior, ou se você atende menos vezes no mês, cada atendimento precisa carregar uma fatia maior do custo fixo, e o preço que serve para o vizinho pode ser prejuízo para você.
Quando você conhece o custo total, o preço deixa de ser sensação e vira decisão. Você sabe qual é o piso e o quanto está acima dele.
O erro de quem atende menos do que a estrutura pede
Há uma armadilha específica que o custo fixo revela. Como ele corre independentemente do movimento, quanto menos você atende, mais pesado ele fica sobre cada atendimento. Um consultório com estrutura grande e agenda pouco ocupada dilui o custo fixo entre poucos atendimentos, e cada um deles precisa custar caro só para cobrir a estrutura.
Ou seja, custo alto e agenda vazia é a combinação que mais aperta a margem. Nesses casos, a solução raramente é só baixar preço para atrair mais gente, porque isso pode afundar ainda mais. O caminho costuma passar por rever a estrutura, o preço e a carga de imposto ao mesmo tempo.
Reduzir o custo do imposto alivia toda a conta
Entre todos os custos, há um que costuma ter mais espaço legal de redução do que os outros: o imposto. O aluguel é difícil de baixar, a equipe é necessária, os seguros protegem você. Já a carga tributária depende muito da forma como você está estruturado, e frequentemente há margem para reduzi-la de maneira legal.
E como o imposto é um dos maiores custos variáveis, reduzi-lo alivia a conta inteira: baixa o piso do seu preço, melhora a margem de cada atendimento e diminui quanto você precisa faturar para se manter no azul. É o custo em que vale mais a pena investir atenção, porque o retorno costuma ser o maior.
O imposto é o custo com mais espaço de redução legal. A gente analisa a sua estrutura e mostra quanto dá para aliviar da conta.
Sinais de que você não conhece o custo real do seu consultório
- Se perguntado quanto custa manter o consultório aberto, você chuta um número;
- Só se lembra do aluguel e do salário quando pensa em custo;
- Nunca somou conselho, contador, seguros e marketing na conta;
- Não inclui o imposto entre os custos do atendimento;
- Define preço olhando o concorrente, sem saber se o custo dele é igual ao seu.
Conclusão
Manter um consultório aberto custa mais do que o aluguel, e boa parte desse custo existe mesmo quando a agenda está vazia. Somar tudo, os fixos que correm sozinhos e os variáveis que crescem com o atendimento, incluindo o imposto, é o que revela o piso real do seu preço.
Entre esses custos, o imposto é o que costuma ter mais espaço de redução legal, e reduzi-lo alivia a conta inteira: baixa o piso do preço e melhora cada margem. É por isso que conhecer os custos e cuidar da estrutura tributária caminham juntos.
Na Passos & Fernandes cuidamos de profissionais da saúde aqui em Salvador. Ajudamos a mapear o custo real do seu consultório, do aluguel ao imposto, e mostramos onde dá para reduzir de forma legal, começando pela conta que mais pesa.
Saiba o custo real do seu consultório e onde dá para reduzir.
Passos & Fernandes · R. Alceu Amoroso Lima, 668, Caminho das Árvores, Salvador/BA · (71) 98872-0540 · contato@passosefernandes.com.br
Perguntas frequentes
Quanto custa manter um consultório aberto?
Depende da sua estrutura, mas o custo se divide em dois grupos: os fixos, que correm todo mês independentemente do atendimento (aluguel, equipe, sistemas, conselho, contador, seguros, marketing), e os variáveis, que crescem com o volume (materiais, taxas, imposto). O total define o piso do seu preço.
Quais custos as pessoas mais esquecem?
Conselho profissional, contador, seguros, marketing e, principalmente, o imposto. A maioria lembra do aluguel e do salário e para por aí, o que faz o custo real ser bem maior do que a estimativa de cabeça.
O imposto é um custo do consultório?
Sim, e dos maiores. Ele incide sobre cada valor que entra, saindo por dentro no recolhimento. Como não chega na forma de boleto, é fácil esquecê-lo, mas ele precisa ser contado como qualquer outro custo.
Por que o custo define o preço?
Porque cada atendimento precisa cobrir o próprio custo variável e ainda contribuir para pagar o custo fixo do mês. Só o que passa disso é lucro. Um preço abaixo do custo total significa prejuízo a cada atendimento.
Atender menos deixa o custo mais pesado?
Sim. Como o custo fixo corre independentemente do movimento, quanto menos você atende, mais pesado ele fica sobre cada atendimento. Estrutura grande com agenda vazia é a combinação que mais aperta a margem.
Qual custo vale mais a pena reduzir?
Costuma ser o imposto. O aluguel é difícil de baixar e a equipe é necessária, mas a carga tributária depende de como você está estruturado e frequentemente tem espaço de redução legal. Como é um dos maiores custos, reduzi-lo alivia a conta inteira.



